Gorges du Verdon

Gorges du Verdon

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Gorges du Verdon, ou Cânion de Verdon, no sudeste da França, é considerado o mais belo cânion da Europa e um dos maiores do mundo, com 25 quilômetros de comprimento. Um cânion é um vale sinuoso e profundo, cavado pela força erosiva de um curso de água. No caso de Gorges du Verdon, o curso de água foi o Rio Verdon, que assim foi nomeado por sua surpreendente cor verde-turquesa, uma das características mais distintivas da região. A parte mais surpreendente de Gorges du Verdon é, provavelmente, entre as pequenas comunas de Castellane e Moustiers-Sainte-Marie, onde o rio escavou no terreno de calcário um precipício de 700 metros de altura. Ao fim do cânion, o rio Verdon deságua no Lago de Sainte-Croix, um lago artificial com 22 km² criado como resultado da barragem hidroelétrica de Sainte-Croix, construída entre 1971 e 1974.

Situado próximo a Riviera Francesa, uma das áreas mais luxuosas e caras do mundo, Gorges du Verdon é muito popular com turistas, que em sua maioria, procuram atividades como a caminhada ou o remo. São mais de um milhão de visitantes por ano. Há também os mais radicais, que praticam o alpinismo: os paredões de calcário com centenas de metros de altura atraem muitos montanhistas. São mais de 1.500 rotas de escalada, que vão de 20 a mais de 400 metros.

Gorges du Verdon começou a ser formado no Período Triássico. Nessa época, a região estava coberta pelo mar, onde surgiram vários depósitos de grossas camadas de calcário. Milhões de anos depois, durante o Período Jurássico, esse mar se tornou quente e raso, favorecendo o surgimento e a proliferação de várias espécies de corais. No Período Cretáceo, uma atividade geológica de escala gigantesca deu origem aos Alpes, um dos grandes sistemas de cordilheiras da Europa. Isso resultou na quebra dos depósitos de calcário e dos recifes de coral do Período Jurássico, formando um relevo instável, com muitos vales e outras feições topográficas. Assim se deu a origem de Gorges du Verdon.

O despertar do Período Quaternário testemunhou grandes glaciações, transformando acúmulos de água em rios e lagos congelados, o que acabou remodelando a topografia, polindo e escavando o relevo. Ao fim desta atividade, a erosão continuou pela força das águas dos rios, transformando Gorges du Verdon no que é hoje.

Como já foi dito, Gorges du Verdon é considerado o cânion mais bonito da Europa. Além das rotas para caminhadas e escaladas, o turista pode simplesmente visitar as atrações turísticas fornecidas pela região. E não são poucas. Uma das mais extraordinárias é o Estige do Verdon (Estige era o rio da imortalidade, na mitologia grega). Basicamente é um cânion dentro do próprio cânion: no fundo do vale, o Rio Verdon atravessa uma fenda estreita cercada por rochas ondeadas de calcário branco, que apresentam sinais da erosão resultante da força das águas durante milênios.

O Imbut é onde o rio Verdon desaparece sobre blocos gigantescos de rocha, a mais de 400 metros abaixo do topo do vale, e só volta ao ar livre centenas de metros depois. Uma estrada, a Route dês Crêtes, percorre 23 quilômetros na borda do despenhadeiro. Nesse percurso, são encontrados vários mirantes. O mais famoso deles é o Point Sublime, uma plataforma a 180 metros de altura de onde se tem uma bela visão de Couloir Samson (Corredor de Samson), uma passagem estreita que mais parece uma entrada para Gorges du Verdon.

Balcons de la Mescla também é outro mirante de Route dês Crêtes. Sobre um despenhadeiro de 250 metros, o pequeno Rio Artuby, com 54 quilômetros de extensão, se junta ao Verdon formando o que parece ser um “Y” azul-turquesa gigantesco. Um pouco antes disso, o rio Artuby é atravessado pela Ponte de Chaulière, construída entre 1938 e 1947. Seu suporte é composto de um único arco com 110 metros de altura e sua extensão é de 182 metros. Essa é a maior ponte da Europa onde é permitida a prática de bungee jumping.

Existem várias trilhas para passeios panorâmicos. A maioria não possui grande dificuldade técnica, exigindo apenas disposição e tempo do turista. A mais famosa delas é Le Sentier de Martel (O Percurso de Martel), criada em 1928 pelo Touring Club de France com o objetivo de homenagear Édouard-Alfred Martel, explorador considerado o pai da espeleologia (ciência que estuda grutas e cavernas). Martel visitou Gorges du Verdon em 1905 e foi o primeiro homem a completar com sucesso a travessia pelo cânion, além de ter descoberto Estige do Verdon e outras passagens e formações rochosas. Le Sentier de Martel começa no Chalet La Maline, um chalé hospedeiro a 900 metros de altitude com uma das melhores vistas possíveis para Gorges du Verdon.

De La Maline, a trilha desce de forma extremamente íngreme para o vau Estellié, uma passarela destruída por uma inundação em 1995, mas que já foi reconstruída. De Estellié, se chega a Pré d’Issane, uma pequena praia na borda do Rio Verdon. Depois vem Étroit des Cavaliers, uma estreita passagem entre os paredões. Até que o visitante chega a Brèche Imbert, um grupo de seis escadarias e 252 degraus que leva a Point Sublime. Mas antes de Brèche Imbert, existe um desvio que leva a Balcons de la Mescla.

A trilha continua e o ponto de parada seguinte é em Baumes-Fères, uma bela praia muito utilizada por pessoas que querem fazer um piquenique ou, simplesmente, nadar. A caminhada agora está na margem do rio Verdon e passa por Tours de Trescaïre, duas impressionantes pirâmides monolíticas. E então vêm três túneis: o Túnel des Baumes, o Túnel de Trescaïre e o Túnel du Baou, que foram originalmente construídos para projetos hidroelétricos que foram abandonados após a II Guerra Mundial. Esses túneis têm comprimento entre 110 e 670 metros e exigem do turista aparelhos específicos, como lanternas e roupas quentes.

Depois do Túnel du Baou, a rota segue, novamente, pelo Rio Verdon. Uma outra passarela leva o turista de volta ao Chalet La Maline. São, ao todo, 15 quilômetros de trilha e a caminhada geralmente dura cerca de 12 a 13 horas.

3 Comentários em “Gorges du Verdon”

  1. Matheus Hasenclever:

    Vou responder algumas perguntas que deverão surgir em relação ao Mil Maravilhas:

    1) Eu digitei o endereço errado? Que site é esse?
    Não, você realmente está no As Mil Maravilhas do Mundo! Só que o site em si já não é mais o mesmo. Depois de várias reclamações e sugestões a respeito do conteúdo e do visual, resolvemos remodelar tudo!

    2) Então onde estão Preikestolen, Bora Bora, Mar Morto?…
    Todo o conteúdo antigo foi salvo num servidor seguro e estão disponíveis apenas aos administradores do Mil Maravilhas. Isso não quer dizer que você nunca mais vai vê-los aqui. Salvamos o conteúdo justamente para melhorá-lo.

    3) E os wallpapers e vídeos?
    Fazer wallpapers e procurar vídeos decentes gastava uma boa parte do meu tempo disponível ao Mil Maravilhas. Tomei a decisão de que o conteúdo é mais eficiente que seus adornos e por isso não vão ser mais elementos num artigo. Mas isso não é só negativo: como vocês podem ver, os artigos ficaram maiores e mais completos, além de ter mais ilustrações e até um glossário.

    4) Então como vai ficar as atualizações?
    Esse é o maior problema. Como estudante do Ensino Superior eu não possuo mais tanto tempo quanto antes para cuidar do site. Tentarei fazer tudo de uma forma razoavelmente periódica, mas se não der, só posso pedir desculpas…

    5) Satélite?
    É! Agora você pode ver as maravilhas postadas através do Google Maps. Para isso, basta clicar no link “Satélite”, ao lado da imagem principal, logo acima.

    Qualquer dúvida, elogio, sugestão ou crítica, os comentários estão aqui para isso! Terei o maior prazer em respondê-los!

    Atenciosamente,
    Matheus Hasenclever, administrador.

  2. pauline:

    É? muito legal…

  3. Helena:

    Parabéns pelo trabalho Matheus!
    Através desse site soube de obras divinas indiscutivelmente lindas.
    É bom saber que ainda tem gente que emprega seu tempo partilhando as belezas da vida. Isso é generosidade.
    Muito Obrigada.
    Abraços.
    Helena

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