Igrejas Escavadas na Rocha de Lalibela

Pssarelas entre as igrejas Igreja escavada na rocha de Lalibela O rico interior de uma igreja Bet Giorgis

A Etiópia é o 27° país do mundo em área e 15° em população, estimada em mais de 85 milhões de pessoas. Esses números não se repetem no Índice de Desenvolvimento Humano, que está em 169° lugar. Isso não condiz com o fato que é de lá que veio a nossa espécie, o Homo sapiens. Mas o fato pode ser perfeitamente entendido quando se sabe que a Etiópia foi um dos países explorados pelo colonialismo europeu.

Lalibela é uma cidade no norte da Etiópia. É a segunda cidade mais sagrada daquele país, atrás apenas de Aksum. Por isso é considerada um grande destino de peregrinação. O Cristianismo, a religião de Lalibela, é pregado através da Igreja Ortodoxa Etíope, uma das únicas igrejas cristãs pré-colonialismo da África Subsaariana. Lalibela tem cerca de 15 mil habitantes e está a aproximadamente 2.500 metros acima do nível do mar.

Durante o reinado de Gebre Mesqel Lalibela, Negus (título usado por um rei e às vezes por um governante vassalo no antigo Estado monárquico etíope) entre os séculos XII e XIII, a cidade de Lalibela era conhecida como Roha. Um enxame de abelhas rodeou Gebre durante seu nascimento. Lalibela, nome dado por sua mãe, então, significa “as abelhas reconhecem sua soberania”.

O objetivo do Negus era criar uma Nova Jerusalém para aqueles que não poderiam visitar a Terra Sagrada. Alguns escritos afirmam que Gebre Mesqel Lalibela esteve realmente em Jerusalém e se baseou nelas para construir as igrejas de Lalibela, a grande atração da cidade. Mas é verdade que nenhuma igreja de Lalibela pode ser considerada uma cópia, já que cada uma delas possui uma arquitetura única. Lalibela é, hoje, conhecida em todo mundo pelas suas igrejas monolíticas, isto é, construídas num único bloco de rocha. São, no total, treze construções.

Apesar de tê-las mencionado dessa forma, é errado dizer que as igrejas de Lalibela foram construídas. Elas foram escavadas. Primeiramente, cavaram fendas em todos os quatros lados da rocha, depois começaram a escarificar o seu interior. Com uma das igrejas tendo 25 metros de altura, é espantoso saber que escavaram tudo aquilo apenas com martelos e cinzéis. Algumas lendas dizem que anjos vinham toda noite para ajudar os trabalhadores. Uma das igrejas, Bet Maryam, contem um pilar de pedra onde o Negus Lalibela escreveu o segredo da construção das igrejas. É coberto por panos antigos e somente eclesiásticos podem vê-lo.

O projeto do Negus Lalibela teve dois resultados inesperados: a criação de uma lugar sagrado com beleza sem paralelos e a conversão do rei etíope em um seguidor da vida religiosa. Depois de 20 anos de trabalho, Lalibela abdicou do trono e se tornou um eremita, e viveu pelo resto de sua vida numa caverna, se alimentando apenas de raízes e vegetais. Foi assim que Gebre Mesqel Lalibela se tornou um dos santos da Igreja Ortodoxa Etíope. As igrejas continuam ativas desde o século XII. Os primeiros europeus a verem os extraordinários lugares sagrados foram exploradores portugueses em 1520. Um deles disse num jornal que a vista foi tão fantástica que ele esperava que seus leitores o chamassem de mentiroso.

As coberturas das igrejas de Lalibela estão no nível da terra e são alcançadas por escadas que descem pelas fendas que circundam as escavações. As igrejas são conectadas por túneis e passadiços que se estendem por todo o local. As igrejas de pedra cortada são simples, mas belas com suas aparentemente frágeis janelas, molduras de vários tamanhos e formatos, diferentes formas de cruzes, suásticas (que possuem significado religioso) e até mesmo tracejos islâmicos. Algumas das igrejas possuem ainda pinturas nas paredes. Cada igreja possui um padre residente.

A mais famosa das igrejas é, sem dúvidas, Bet Giorgis (São Jorge). Está localizada na parte ocidente do grupo. Tem uma grande cruz em seu topo e possui seu interior plano, contrastando com a maioria das outras. Foi construída após a morte de Lalibela, aproximadamente em 1220, por sua viúva, com o objetivo de servir como um memorial para o santo-rei. Em 1978, as Igrejas Escavadas na Rocha de Lalibela foram classificadas pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade.

2 Comentários em “Igrejas Escavadas na Rocha de Lalibela”

  1. jorge d.s.escalla:

    simprismente uma obra prima!

  2. pedro augusto:

    e muito bom mesmo sem palavras pra definir cara muito bom

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